No início do século XX, a região onde está situada a Paróquia Nossa Senhora das Graças – Bairros São Geraldo, Barnabé, São Jerônimo, Monte Belo, Nossa Chácara, COHAB B, COHAB C, e o Distrito Industrial –  pertencia à zona rural de Gravataí. A região fica situada à margem direita do Rio Gravataí, próxima ao centro do município, ou, como se diria no início do século, próximo à Aldeia.  Toda essa região era chamada de Distrito Barnabé, ou localidade Barnabé, em função do Arroio Barnabé.

 Desde meados do século XIX a região era habitada por sesmeiros. O local onde atualmente está a Empresa Zivi pertencia à Fazenda Boa Vista (por isso o hoje o bairro tem esse nome), cujo proprietário era Manoel Alfeu Fonseca. Além das fazendas, havia chácaras e casas de campo, utilizadas aos finais de semana.

 Até 1945, ano da ereção da Paróquia Santa Luzia de Morungava, existia em Gravataí somente a Paróquia Nossa Senhora dos Anjos. Em 1913, tomou posse como pároco o Con. Pedro Wagner, que permaneceu em Gravataí por cinco décadas. Ele visitava as regiões mais distantes do centro, visitando as famílias, rezando missas, ministrando o sacramento do batismo, do matrimonio, unção dos enfermos. Também a região do Barnabé era visitada por ele.

 Em 1930, Getúlio Vargas derrubou o presidente Washington Luís. Devido a sua formação positivista, deu início ao processo de industrialização do país, com a implantação de empresas e construção de estradas de rodagem para escoar a produção. Isso trouxe o desenvolvimento a muitas regiões do pais, e em Gravataí não foi diferente. Em 24 de agosto de 1931, sendo prefeito de Gravataí o Dr. José Loureiro da Silva e Interventor Federal do Estado o Gen. Flores da Cunha, foi assinado um contrato entre o Estado e a empresa Dahne, Conceição & Cia. para a construção de uma estrada de rodagem entre Porto Alegre e Conceição do Arroio (atual município de Osório), com início na ponte metálica na localidade de Cachoeirinha. A faixa ligando Porto Alegre ao centro de Gravataí, foi inaugurada no dia 22 de abril de 1934, sendo prefeito o Dr. José Marques Viana,  com uma grande festa no centro da cidade.

Essa estrada, chamada faixa, trouxe grande desenvolvimento à região. Muitos trabalhadores da obra fixaram-se na região, e suas famílias vivem aqui até hoje. Com essa nova estrada, foi possível estabelecer linhas de ônibus ligando Gravatai a Porto Alegre, tornado a viagem até a capital mais rápida e segura. Já em 1940, a empresa de ônibus de Olinto Costa oferecia 14 viagens diárias a Porto Alegre. A população de Gravataí conheceu um acréscimo a partir disso; muitas famílias vieram do interior de Santo Antonio da Patrulha e até de Osório e fixaram-se próximo ao centro, devido a sua proximidade com a capital.

  A partir de 1940, a Imobiliária São Geraldo, cujo proprietário era o ex-prefeito de Gravatai, Dr. José Marques Viana, começou a vender lotes de terra que pertenciam ao próprio Viana na região do Barnabé. O local do loteamento foi batizado Vila São Geraldo, devido à Imobiliária e também porque Marques Viana era devoto de São Geraldo, um santo muito popular entre os italianos, que tinham uma presença forte na localidade. Inclusive a imobiliária doou à Mitra Arquidiocesana de Porto Alegre um terreno de 14.320m2, na atual Rua Joaquim Nabuco, na altura do número 342.

 O Con. Pedro Wagner visitava de tempos em tempos as localidades, favorecendo assim as famílias que tinham mais dificuldade para se deslocarem até a Igreja Matriz. Ele avisava por alguém que em determinada data estaria na residência de uma família. Os donos da casa avisavam seus parentes próximos e os vizinhos e preparavam o local, que podia ser uma sala mais espaçosa ou o pátio.

 Permaneceram no loteamento algumas áreas livres, sendo que a área central era a do campinho, hoje Praça Américo Sanco, na parada 72. Ali foram organizadas festas e missas em honra de São Geraldo.

  Um dos locais nos quais se rezavam missas era a Fábrica de Vassouras, de propriedade do Sr. Arlindo Montin, que ficava em sua residência na Avenida Brasil, em frente ao atual salão catequético. A família Montin, de origem italiana, era numerosa na localidade. No local onde está a Revendedora Onix, ficava a residência do irmão do Sr. Arlindo, Armando Montin e sua Esposa, Luisa Montin.

  Com o crescimento da Vila, as famílias iniciaram um movimento em prol da construção de um local para celebração. Um dos grandes líderes desse movimento foi Jeronimo Timóteo da Fonseca, e sua esposa Olivia Löeff Fonseca, que foi a primeira catequista da localidade. Na residência deles ocorreram algumas reuniões para amadurecer a ideia. Organizaram festas no campinho para angariar fundos para construir a capela.

O casal Armando e Luisa Montin tinham um único filho,  seminarista, Carlos, que faleceu antes de ser ordenado. Como forma de homenagear o filho, doaram um terreno, atrás de sua residência, na Avenida Brasil, para a construção da capela. A Imobiliária São Geraldo doara um terreno para isso, mas, apesar de algumas vozes contrárias, a maioria das famílias resolveu construir a capela no terreno doado por eles.

 A pequena igreja de madeira foi inaugurada no dia 18 de janeiro de 1953. No altar mor havia uma imagem de São Geraldo, padroeiro da vila, e também de Nossa Senhora das Graças, por quem o Pe. Pedro nutria forte devoção. Durante muito tempo a igrejinha ficou conhecida como Capela São Geraldo. A partir de então, todos os domingos vinham ou o Con. Pedro ou os padres do seminário celebrar a Eucaristia, em especial o jovem Pe. Aleixo Bottan, que fez um belo trabalho pastoral na capela.  O bairro crescia cada vez mais, e o Pe. Pedro viu a necessidade de que houvesse um padre morando para melhor atender às necessidades espirituais da população. Assim, ele decidiu emancipar a Vila São Geraldo da Matriz Nossa Senhora dos Anjos, elevando-a à paróquia.  E decidiu criar não a Paróquia São Geraldo, mas a Paróquia Nossa Senhora das Graças.

 A provisão de criação da paróquia data de 31 de dezembro de 1957, e está transcrita a seguir:

 

DOM VICENTE SCHERER

Por mercê de Deus e da Santa Sé Apostólica, Arcebispo Metropolitano de Porto Alegre

Aos que este nosso decreto virem, saudação, paz e bênção em Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

Fazemos saber que, atendendo às necessidades espirituais dos nossos amados filhos da Vila São Geraldo e arredores no município de Gravataí, em virtude de nossa jurisdição ordinária, de acordo com com o cânon mil quatrocentos e vinte e sete do Código de Direito Canônico, havemos por bem criar, como de fato pelo presente nosso decreto criamos, a Paróquia amovível de Nossa Senhora das Graças da Vila São Geraldo no município de Gravataí, tendo os seguintes limites:

                Partindo do Rio Gravataí, no Passo das Canoas, segue pela estrada que passando pela Hidráulica vai até a faixa de cimento, e desta pela rua Otávio Schemes, seguindo pela estrada do Passo do Hilário, até a estrada do Passo do Carvalho(João Mello), segue por esta até a faixa de Taquara, subindo por esta até a estrada Gravataí – Itacolomy (Armazem Garcez), segue por esta até a estrada que vai a Ponta Grossa e por esta até a que vai para o Morro Agudo; na direção até o Beco dos Ferreira (salão);segue por este Bêco até a estrada Morro Agudo – Santa Tecla; segue dali numa linha reta até a divisa com São Leopoldo no Arroio Moinho; dali pela divisa de Gravataí com São Leopoldo em direção ao Passo do Sapucaia continuando até o Passo do Nazário; dali pela divisa com o município de Esteio até encontrar as Águas Mortas e por estas acima até encontrar a estrada Vista Alegre-Ipiranga, seguindo por esta até a faixa Porto Alegre-Gravataí; segue por esta até o Arroio Barnabé, na ponte; desce por este até o Rio Gravataí (Porto Pedro Leandro); sobe por este até o Passo das Canoas, que é o ponto de partida.

 

                A Paróquia de Nossa Senhora das Graças da Vila São Geraldo será provida de pároco próprio, a cuja jurisdição submetemos todos os moradores compreendidos nos limites descritos, e gozará de todos os direitos e privilégios comuns às outras paróquias da Arquidiocese.

              O pároco por nós nomeado celebrará missa pelo povo que lhe confiamos, ensinará a doutrina cristã, administrará os santos sacramentos, fundará a Ação Católica e cumprirá os demais deveres inerentes ao seu cargo – sagrado ministério.

                Este nosso decreto será lido aos fiéis da nova Paróquia por ocasião de sua instalação e transcrito no Livro do Tombo da nova paróquia, bem como nos das Paróquias de origem.

                Dado o passado em nossa Câmara Eclesiástica de Porto Alegre, sob nosso sinal e selo de nossas armas, aos trinta e um de dezembro de mil novecentos de cinquenta e sete.

 

                                                                                     Vicente Scherer

                                                                              Arcebispo Metropolitano

                     A paróquia era extensa; tinha mais duas capelas além da matriz: Nossa Senhora da Conceição, na Costa do Ipiranga, e Santa Tecla, na localidade de mesmo  nome. Hoje, ambas, embora estando no município de Gravataí, pertencem à Paróquia Divino Espírito Santo, de Cachoeirinha.

                No dia 02 de fevereiro de 1958, por volta das 8 horas da manhã, o Pe. Aleixo Bottan, na qualidade de delegado do Arcebispo, Dom Vicente Scherer, deu posse ao Pe. Antonio Carlos Fialho como pároco da recém criada paróquia Nossa Senhora das Graças.  Pe. Carlos registrou que  havia pouca gente na posse, pelo fato da incerteza da data e também da doença do Sr. Jerônimo Timóteo da Fonseca, muito ligado à criação da nova paróquia. Nesse mesmo dia, houve um batizado, de Carlos Alberto Melo, filho de Valdoca Melo e Maria da Glória Alves Melo. Por falta de casa paroquial, Pe. Antonio foi morar na casa dos Fonseca. Passado algum tempo, mudou-se para um galpão nos fundos da igreja.

                A primeira novena em honra de Nossa Senhora das Graças teve início no dia 25 de abril de 1958. A festa foi realizada no dia 04 de maio. Na noite do dia 03, foi realizada procissão luminosa; na manhã do dia 04, às 09:30, houve a celebração da missa. A comissão festeira estendeu os festejos populares até os dias 10 e 11 de maio.

                Em inícios de julho, teve inicio a construção da casa paroquial, por construtores contratados por Jerônimo Timóteo da Fonseca. Terminada a casa, Pe. Antonio foi morar nela, e trouxe seus pais para morar com ele. 

    Em 2007, a Paróquia Nossa Senhora das Graças comemorou os cinquenta anos de sua fundação com diversas celebrações, confecção de uma camiseta comemorativa, gravação de um CD pelo Coral de Nossa Senhora das Graças, com músicas compostas por Marcelo Zuchetti e Márcia Maria Soares Roza, grande festa da padroeira e muita integração entre todos os paroquianos. Foi um ano de muita fé e alegria para todos. Também, nesse ano, foi lançado o livro Cinquentenário de Memórias - Paróquia Nossa Senhora das Graças. As atividades foram coordenadas pelo então pároco Padre Heitor Morschel.
A Paróquia Nossa Senhora das Graças é constituída  pelas comunidades Nossa Senhora das Graças, Santa Luzia, Nossa Senhora Aparecida, São Geraldo, Nossa Senhora dos Navegantes, Imaculado Coração de Maria e São Francisco.